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Morte: Como falar dela quando chega a hora?

Alguns assuntos são extremamente delicados para tratarmos com as crianças. Alguns temas são complexos até para adultos, daí nossa dificuldade de escolher as palavras para discutir eles com as crianças. Confesso que já tem um tempinho que eu vejo nas prateleiras os livros que falam sobre o luto e fico inclinada a comprar, mas sempre faço outra opção... evitando lidar com a morte e encarar a finitude.
 
Então a Raquel deu a ideia (que eu já deveria ter tido), de colocar aqui no blog, um  texto feito pelo Max (o maridão), com este tema. O Max e a Raquel são pais que lutam por uma educação de qualidade para seus filhos, mas não falo só daquela que a escola oferece, eles fazem parte deste processo, tratando assuntos que trazem benefícios para seus filhos e toda família. O Max escreve toda segunda-feira para o VILA MAMÍFERA, sobre estes e outros temas, tratando sempre da paternidade responsável (que não é sobrenome na certidão), mas a participação ativa na criação e educação dos filhos. Também é um ótimo contador de histórias e usa este recurso para ensinar os filhos de forma leve e divertida, afinal, até a morte merece ser tratada com respeito.
 
 
 
MORTE (Como falar dela quando chegar a hora)
 
 No mesmo dia em que nascia a Vida, nascia também a Morte. Irmãs gêmeas, filhas do mesmo pai, o Criador do Mundo, filhas da mesma Mãe, a Terra…” (O dia em que a morte quase morreu, Sandra Branco).

Tabu maior que falar de dinheiro, para bom brasileiro, só mesmo falar sobre a morte. Por isso chamou-me tanto a atenção o livro da história acima. Também porque sugeria uma maneira mais fácil dos meus filhos entenderem do que se trata. Acho que, na verdade, sou eu que não sei lidar muito bem com o assunto e fico procurando auxílio. Mas jamais pensei que esta história seria útil tão breve.
Na primeira aula que eu tive de Filosofia de Direito o professor disse que a morte de uma criança é sempre um momento trágico e de muita dor, mas “previsível”, já que somos todos mortais. Pensando nisso conclui que se as crianças podem morrer a qualquer momento, muito mais chances de morrer a qualquer momento tem os adultos. E, se podemos todos morrer a qualquer momento, melhor aproveitarmos o maior tempo possível da companhia de nossos entes queridos, no meu caso, especialmente, da minha esposa e dos meus filhos.

Graças ao bom Deus tenho meus filhos em minha companhia. Mas logo em tão tenra idade, perto de completar 5 anos, meu filho perdeu seu melhor amigo. Aparentemente uma bactéria resistente se alojou no rim desse menino muito querido e ele se foi em poucos dias. Não levamos as nossas crianças ao velório nem tampouco ao funeral, pois o choque da notícia não nos permitiu raciocinar em como lidar com a situação e com as possíveis reações das crianças.

Acho que demorou uns dois dias para darmos a notícia para as crianças. Fizemos aquele rodeio tradicional, escolhendo as palavras e explicando a sequência de acontecimentos, com o coração na mão. Quando terminamos, meu filho perguntou: “- Como?” Parecia que ele não tinha ouvido nada. Acho que não fomos muito objetivos. Explicamos de outra forma, mas o assunto ficou no ar até a missa de 7º Dia, acho que por minha causa, porque eu ficava bloqueando as emoções e evitando o assunto, fugindo do meu filho quando ele abordava o tema.

Quando fui com minha filha revelar uma foto como recordação para presentear os pais, foi ela – com apenas 3 anos de idade – que sacou da caixola a referência a história acima: “- Foi a ‘Moite’ (Morte) né papai?”. Demorei alguns segundos para entender o que ela queria dizer. Quando entendi, foi como quando Moisés abriu o Mar Vermelho. Voltamos para casa, reuni a família, li a história e, ao final, a Raquel completou que nosso amiguinho tinha virado uma estrelinha, apontando para o céu, que começava a pipocar com as primeiras estrelas da noite.

Isso não fez da situação menos difícil, mas nos pareceu que foi bem mais fácil das crianças entenderem. Acho que falar sobre o assunto e abrir nossos corações também foi importante para meu filho lidar “melhor” com a situação e desejar ao nosso amigo, como desejamos: “Descanse em Paz. Nunca esqueceremos de você.”
 
 
 
 
 
 Saiba mais sobre o Max e os temas que ele escreve,  clicando na imagem abaixo:
 
 
 
Maximilian Köberle, Max para facilitar. Penso que ser pai é uma missão a ser cumprida com amor e louvor. Leonino, gosto dos meus filhos independentes, mas por perto. Sou pai do Gabriel, 7, e da Isadora, 4, com os quais comecei minha formação como contador de histórias. Com 37 anos penso que sei, mas nada sei. Advogado, com muito orgulho. Gosto de atividade física, de boa leitura, de rock´n roll e de curtir a natureza. 11 anos muito bem casados com a Raquel (Quel, como ela gosta), canceriana, sensível e simpaticíssima (acertei na loteria!). Publicações às segundas feiras.
 
 
DICA DESTE BLOG: Ao longo destes muitos anos de profissão (12) - apesar de não ter estudado este tema, com a dedicação que ele merece, aprendi algumas coisas que podem ajudar.
 
1 - Conte o que aconteceu, de acordo com a idade da criança , use palavras fáceis de entender e, como diria minha mãe, faça como na história do gato - "O gato subiu no muro, pulou no telhado, o telhado era alto, o gato escorregou, caiu, se machucou, ficou doente, morreu" - ou seja, explique devagar, sem dar a notícia diretamente, para não assustar e também não enrole muito. Mas não oculte o ocorrido porque é importante que a criança saiba que a outra pessoa não saiu da sua vida por opção.
2- Não esconda o seu sentimento, se é dolorido não há problema em chorar junto com a criança, assim ela aprende que não é feio sentir falta ou sofrer por quem amamos. Perder não é fácil, e a morte  nos confronta com a dificuldade de lidar com a fragilidade humana, se tratando da perda de uma criança então...
3- A morte é a nossa companhia ao longo da vida, a única certeza que podemos ter. É um tema difícil e doloroso, trata-lo exige equilíbrio pois assim como a criança precisa entender a perda, também precisa valorizar a vida e, portanto, não pode aceitar a morte com naturalidade e sem um determinado grau de sofrimento.
4 - Crianças alternam períodos em que não diferenciam fantasia e realidade 9até mais ou menos 4 anos), logo, assimilar um conceito tão abstrato como a morte e a perda demanda tempo e amadurecimento. Não se apavore se a criança voltar a falar da pessoa como se ela ainda estivesse presente.
5 -  O luto é uma experiência única para cada indivíduo, lidar com a perda e conseguir aceitar pode demorar mais para umas pessoas do eu para outras. Negação, silêncio, choro, medos e inseguranças podem surgir neste período, sendo que a criança precisa ser amparada e protegida para lidar com estes sentimentos.
6- Para algumas crenças, o ritual de sepultamento envolve a despedida, o último adeus e um momento onde familiares e amigos podem estar junto, compartilhando do mesmo sentimento. Portanto, muitos psicólogos, aconselham que pais levem os filhos ao funeral, mas acredito que isto deve ser  uma leitura particular de cada família.
 
"A dor é suportável quando conseguimos acreditar que ela terá um fim e não quando fingimos
que ela não existe." Allá Bozarth-Campbell
 
 

 

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